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31 de julho de 2014

A Serrinha e a seca do Cantareira

Observamos com bastante apreensão a situação da represa Jaguari-Jacareí, da qual somos vizinhos e cuja história acompanhamos desde o início, no final da década de 1970. O tema da seca e das águas esteve no horizonte de inspirações da edição 2014, acabando como o grande assunto em evidência durante todo o evento.

Ocupamos as margens da represa do Jaguari-Jacareí, principal do Sistema Cantareira, que passa por uma baixa histórica, ameaçando o abastecimento de água de região metropolitana de São Paulo. A proposta foi trabalhar a situação de seca do reservatório, que fica vizinho à Fazenda Serrinha, e a nova paisagem formada, por meio das linguagens artísticas mais diversas




As rachaduras, as raízes que se revelam, fundações de antigas casas que ficaram submersas com o alagamento na década de 1970, barrancos, velhas estradas, enfim, todos os elementos que fazem parte dessa realidade – incluindo as implicações geopolíticas, econômicas, ambientais – poderão ser explorados, experimentados, retratados.

Na vivência “Represa Experimental”, Bené Fonteles propôs leituras poéticas sobre a seca. O fotógrafo paraense Luiz Braga, que coordenou um workshop, também teve a represa como um dos focos de seu olhar. E a coreógrafa Morena Nascimento levou seus alunos para as margens do reservatório para uma intensa experiência em dança.




As ações do Festival de Arte Serrinha constituíram-se um contraponto artístico bem vindo, um sopro de vida em um momento de profunda inquietação.

Estão sendo organizados, compilados e editados todos os conteúdos produzidos durante a 13ª edição do festival. Esses materiais serão publicados no site à medida que forem sendo finalizados.


23 de julho de 2014

Iara Rennó realiza show durante 13º Festival de Arte Serrinha

Apresentação marca o encerramento do festival e a reinauguração do Galpão Busca Vida 


O show da cantora e compositora Iara Rennó, dia 26 de julho (sábado), a partir das 23h, marcará o encerramento do 13º Festival de Arte Serrinha. A apresentação ocorre no Galpão Busca Vida, um dos núcleos centrais de atividades do festival, que será reaberto após um período de reformas.


Acompanhada por Leo Monteiro (bateria) e Felipe Fernandes (synthetizador), Iara Rennó - que despontou nacionalmente com a banda DonaZica ao lado de Andréia Dias e Anelis Assumpção no inicio dos anos 2000 - apresentará as composições de seu segundo e mais recente álbum, I A R A. O repertório terá canções como “Arroz Sem Feijão”, “Já Era”, “Roendo as Unhas”, entre outras.



IARA RENNÓ
 nasceu e cresceu num meio musical, a família Espíndola, que além de Alzira, Tetê e seus irmãos, trás nova geração que se desponta com sucesso como Dani Black e Luz Marina. Cantora, compositora e produtora musical, tem dois álbuns lançados: I A R A e o elogiado Macunaíma Ópera Tupi. Além de canções nas vozes de Elza Soares (“Mandingueira”), Ney Matogrosso (“Leve”), “Fado Mudo” na voz da cantora portuguesa Maria João e ainda “Chuva” gravada por Gaby Amarantos no disco Treme.


No lançamento de I A R A, o compositor e cantor paulista Romulo Fróes escreveu: “Antes de mais nada é preciso dizer uma coisa: I A R A é um disco de rock! E aqui, não me refiro ao gênero, mas ao espírito transgressor próprio do estilo em seus melhores momentos. I A R A, o disco, cumpre com sucesso o que parece ser o seu desejo. Reconhecemos nele a grande obra que Iara Rennó vem construindo ao longo de sua carreira, ao mesmo tempo que nos surpreendemos com sua reinvenção. Em Já Era, faixa que abre o disco, Iara canta: “Já era, já era seu, já era seu ventre, já era seu ventre a casa” e confessa: “só faltavam asas e agora já não falta quase nada”. Já era Iara antes. E agora mais do que nunca, já é!”




13º FESTIVAL ARTE SERRINHA
SHOW – IARA RENNÓ
GALPÃO BUSCA VIDA

Dia 26 de julho – às 23h
Capacidade: 600 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação: 18 anos 
Ingressos: Antecipado – R$40,00 inteira, R$20,00 meia 
No dia show direto no Galpão Busca Vida: R$60,00 inteira, R$30,00

Pontos de venda: Restaurante Fresco e Chocolatti Nicolatti – Bragança Paulista / Loja 775 - Atibaia/ Piracaia Café da Dana

Informações: 11-96381-3020 
Endereço: Estrada para Piracaia, Km 71,5 (acesso pelo quilômetro 19 da Rodovia Fernão Dias para Piracaia), Bragança Paulista.


13º Festival de Arte Serrinha - Segunda Semana


13 Festival de Arte Serrinha from Garapa on Vimeo.

17 de julho de 2014

13º Festival de Arte Serrinha - Primeira Semana


13 Festival de Arte Serrinha from Garapa on Vimeo.

OCUPAÇÃO SERRINHA


Arqueologia Involuntária, de Claus Lehmann e Edu Marin Kessedjian


Até 26 de julho, na tulha da Fazenda Serrinha // entrada gratuita


Os conceitos de fim, transformação e solidão são alguns dos assuntos que permeiam os trabalhos e pesquisas dos dois fotógrafos. Nesta videoinstalação, a represa extremamente seca é a locação e o tema.


A possibilidade de acessar e registrar uma área normalmente não visível da natureza é o foco. O nível alarmante da água no reservatório, apesar de trágico, oferece uma possibilidade de se criar uma espécie de arqueologia daquele lugar. O fundo da represa está acessível para exploração e registro. Desvenda-se, então, sem a água, todo um universo (pedras, vegetação, terra, areia, animais, lixo) que existe ali e, que em breve, com a volta das chuvas voltará a invisibilidade.


16 de julho de 2014

Segunda semana do 13º Festival de Arte Serrinha traz atrações gratuitas


A 13ª Edição do Festival de Arte Serrinha chega à segunda semana com uma programação diversificada e aberta ao público. 


Entre as atrações gratuitas estão as Mesas e Debates que acontecem na Fazenda Serrinha e espetáculos de dança, que acontecem no Teatro Rural do Busca Vida. 


Dois dos artistas que se apresentam no Festival de Arte Serrinha também estarão no Festival de Inverno de Bragança Paulista: Diogo Granato e Morena Nascimento, referências da dança contemporânea brasileira.


Diogo Granato apresenta o espetáculo Sketchbook no dia 19/07, às 14h, na  Praça Raul Leme, e no dia 20/07, às 16h no Teatro Rural.


Morena Nascimento apresenta, ao lado Carolina Bianchi, o espetáculo Rêvieri, na Casa de Cultura, no dia 19/07, às 20h, com entrada gratuita. 



Marcelo Delduque


Confira a programação da semana:


Mesas e Debates


16 de julho (quarta), às 19h - Grátis

Arte erudita e arte popular - Com Bené Fonteles, Ronaldo Fraga e Roberto Rugiero. Mediação de Denise Mattar.



18 de julho (sexta), às 19h - Grátis

Raízes da música brasileira, com Letieres Leite e Mestre Dalua. Mediação de Patrícia Palumbo.



Carol Quintanilha


Cine Rancho


Dias 18 e 19 de julho (sexta e sábado), às 21h - Grátis


A Nave, de Luiz Otavio de Santi
Uma viagem com a Jazz Sinfônica de São Paulo

Documentário, 85 minutos.
Direção – Luiz Otavio de Santi.
Produção – Renato Ciasca, Drama Filmes.
Ano – 2013.


Este documentário de longa metragem mostra cinco anos de gravações e de convívio com a orquestra mais original do Brasil, talvez do mundo: a Jazz Sinfônica de São Paulo. Excelência da música popular do planeta, da música viva e inclassificável, com uma roupagem sinfonica. O filme apresenta 90 músicos em suas rotinas de trabalho com imagens e sons muito próximos e vibrantes, dentre eles o maestro Cyro Pereira. Um filme original num emocionado encontro entre cinema e a música. Uma “sincromia” de luzes e sons que renova o olhar para os filmes musicais. Nesta mágica dimensão os personagens compõem sua própria trilha sonora.


O Cine Rancho fica na Estrada do Novo Horizonte Km 3, Saída Km 79 da Rodovia Padre Aldo Bollini


Manuela Eichener

Dança


Rêvieri: Sonho se desestre cósmico com final de feliz imaginado por uma atriz e uma bailarina ou an uncontralled response - Morena Nascimento e Carolina Bianchi
Dia 19 de julho, sábado, às 14h - Casa de Cultura - Grátis


O espetáculo atravessa as fronteiras do teatro e da dança: imagens, coreografias e textos misturam-se para irromperem através da intérprete na cena.


Haroldo Saboia

Sketchbook – Diogo Granato

Dia 19 de julho, sábado, às 14h - Praça Raul Leme - Grátis

Dia 20 de julho, domingo, às 16h - Teatro Rural - Grátis


Sketchbook é um espetáculo que mistura teatro, dança, parkour e música, apresentando parte dos rascunhos e anotações do coreógrafo Diogo Granato, colhidas ao longo de sua carreira e nunca utilizadas em seus trabalhos.  As sketchs – pequenas cenas - são apresentadas uma após a outra sem transições, deixando claro que são ideias distintas e que não constituem juntas uma linha dramatúrgica. Inspirado pela nova tendência das artes plásticas em apresentar os cadernos de esboços dos artistas como obras em si, o espetáculo é uma exposição de registros que geralmente não chegam ao público, uma mostra do imaginário e da coleta de informações de um bailarino/coreógrafo/diretor em um estado mais cru.


Pela primeira vez em suas criações, Diogo utiliza marcações e cenas pré-estabelecidas. Em Sketchbook, se faz necessário o uso de pequenas cenas que representam, cada uma, uma entrada nesse caderno de rascunhos, isto sendo natural ao conceito  do trabalho, afinal a palavra sketch é a tradução de esboço, de rápida cena, de “um  esquema preliminar representando os principais traços de um objeto ou uma cena”.


Laura Aidar


Maris


Dia 20 de julho, domingo, às 17h30 - Teatro Rural - Grátis


Espetáculo solo de dança que aborda a história de uma mulher do passado e a relaciona com as dificuldades da mulher no mundo contemporâneo capitalista. A personagem central é Madalena, uma rainha que, após sofrer a perda de seus filhos para a guerra entre nações africanas, decide lutar. No campo de batalha, percebe que seu talento como dançarina também tem o poder de curar os feridos da guerra. Nessa sua jornada, Madalena aprimora os movimentos de dança – suaves e agressivos – representados por diversos ritmos que vão do modern jazz, rap, música de pista e remixagem à grande variedade da cultura popular brasileira: coco, ciranda, tambor de crioula, jongo, afoxé, maracatu, samba. A direção é de Claudia Parolin.


3 de junho de 2014

Obras que expressam a união de arte e natureza são destaque na 2ª Edição da Rota das Artes na Serrinha

Uma exposição que apresenta ao público o universo cultural peculiar do bairro da Serrinha, que estabelece um diálogo entre a arte contemporânea e o ambiente rural. Em síntese esse é o espírito da exposição 2ª Rota das Artes Serrinha, que abre neste sábado, 07 de junho, às 14 horas, reunindo a produção recente de artistas que frequentam a Serrinha, e ali criam suas obras, e também uma seleção de obras sobre futebol da Galeria Brasiliana, que em breve abrirá nova sede em Piracaia. A mostra serve como uma prévia do que vai acontecer em julho durante o Festival de Arte Serrinha.


A exposição vai ocupar o Casarão dos Irmãos, a Fazenda Serrinha, o Galpão Busca Vida, o Restaurante Cà De Mez Amig e o Estudio Oco Artefatos, com obras que remetem ao clima rural e ao espírito de comunhão entre arte e natureza.





Participam os artistas Magela Albuquerque e Ronicassio Timoteo, naturais do Vale do Jequitinhonha; o artista João Paulo Scigliano com suas peças de mobiliário e jóias de madeira; Martha Vaz, com cerâmicas; Davi Daidone, o DJ do Galpão Busca Vida; Reginaldo Prodócimo, diretamente da Araucária de Joanópolis; os artistas da Galeria Brasiliana e também os artistas da Fazenda Serrinha: Fábio Delduque, Gustavo Godoy, Fernanda Zerbini e Manu Romeiro.


Festival
O Festival tem como núcleos principais o Galpão Busca Vida, tradicional casa de shows, pizzaria e fábrica da famosa cachaça Busca Vida e a Fazenda Serrinha, reserva ecológica reconhecida pelo ICMBio, Com uma infraestrutura que dispõe de salas de aula, ateliês, restaurante, alojamentos e pousada a Fazenda possibilita aos visitantes uma verdadeira imersão artística. A Fazenda Serrinha também possui um Parque de Instalações que conta com obras de Aguilar, Luiz Hermano, Bené Fonteles, Fernando Limberger, Gustavo Godoy, BijaRi, Eduardo Srur, Fabio Delduque e Hugo França.  Essas obras também poderão ser vistas durante a 2ª Rota das Artes Serrinha.



SERVIÇO
2ª ROTA DAS ARTES SERRINHA - Bairro da Serrinha
Abertura: 07 de junho, às 14h. Exposição até 6 de julho.
Horário para visitação: Sábados e domingos das 11h às 17h.
Visitação grátis. As obras estarão à venda.
Endereço: Bairro da Serrinha
Mapas de visitação estarão disponíveis no Casarão dos Irmãos, na entrada do bairro.


10 de dezembro de 2013

Ode sinfônica

Por Mário Pedregoso


O último dia do “Séries Instrumentais” teve início no período da tarde com a realização de uma jam session em que se reuniram os músicos participantes da residencial musical que aconteceu na Fazenda Serrinha. Por duas horas os residentes exprimiram as ideias desenvolvidas durante os três dias de vivência musical. 


Jam Session


O momento de improvisação foi aquecendo o público que aos poucos chegava para apreciar o show de encerramento comandado por Meno Del Picchia que não só trouxe a banda Trio Improvisado como também contou com um convidado muito especial o músico Bocato, um dos maiores trombonista da música brasileira. 


A apresentação alternou baladas cadenciadas e grooves dançantes compondo um repertório de temas jazzísticos em que a elegância e o rigor dos arranjos e das execuções destacaram ainda mais a sonoridade aveludada do conjunto. Uma verdadeira ode ao que há de mais fino e sofisticado na tradição da música instrumental. 


Bocato e Meno Del Picchia

Embalos e maquinismos

Por Mário Pedregoso

Na terceira noite do “Séries Instrumentais” o público foi privilegiado não com uma, mas com duas grandes apresentações de estilos muito distintos. O contraste entre os estilos não só ressaltou a riqueza da música instrumental brasileira, como serviu também para evidenciar que a música instrumental não é pautada por limites rígidos de gênero. No fundo, a música é uma linguagem universal.

A primeira atração a ocupar o palco foi a banda Cheesehead, que contou com a participação especial de Dudu do Banjo, um dos pioneiros da música instrumental no Brasil. O estilo inconfundível de Dudu comandou o tom do que foi o show: puro balanço. João Della Vecchia no baixo e Matheus Canteri na guitarra, não deixaram por menos e fizeram seus instrumentos swingar do início ao fim. O som agradável e alegre propagou-se pelo Teatro Rural Busca Vida e manteve os espectadores num suave embalo.


Tigre Dente de Sabre

A segunda apresentação iniciou madrugada adentro com a banda Tigre Dente de Sabre. Nada mais adequado para o som ritualístico e cênico da banda. O ritmo hipnótico de uma ‘rave erudita’ domina a plateia logo na primeira música. A partir dali, com suas programações eletrônicas, a performance frenética e alucinante de Gui Calzavara, na bateria e trompete, e Marcos Till, no baixo e sintetizadores, conduziram o público a um catarse coletiva. Pura potência em que o tom épico é dado pelo incessante embate entre a organicidade os músicos e a precisão implacável dos agenciamentos maquínicos. 

7 de dezembro de 2013

Cyberpsicodelia Atômica

Por Marcos Pedregoso

Se o primeiro dia do “Séries Instrumentais” foi marcado pelo clima intimista do Atêlie da Fazenda Serrinha e o violão de Rafael Schimidt, o segundo destacou-se pela arquitetura vanguardista do Teatro Rural Busca Vida e a sonoridade cyberpsicodélica de Suzano, Alex Meirelles e Maurício Negão. O prelúdio do que viria a ser a apresentação do trio pode ser pressentido durante as atividades da residência musical que aconteceram no período da tarde na Fazenda Serrinha. Suzano discorreu sobre o uso das novas tecnologias na música e contou um pouco como tem pensado o uso desses instrumentos em seu trabalho.

  
Mas foi no palco do Teatro Rural Busca Vida que se pode ter uma ideia mais definida de como Suzano tem usado as novas tecnologias atuais. O trio irrompeu tocando uma versão eletrizante da música “Samba Makossa” de Chico Science. O peso da batida do pandeiro inconfundível de Suzano, as inserções alucinógenas de sintetizadores e teclados de Alex Meirelles e os pedais mágicos da guitarra de Maurício Negão não deixaram dúvida da proposta eletrônica e psicodélica da noite.  



Daí em diante o show transcorreu alternando músicas de batidas mais pesadas que prendiam o ouvinte à terra e experimentações transcendentais que elevavam os ouvintes às alturas. A atmosfera psicodélica ficou ainda mais acentuada com a montagem do palco cujo fundo ficou aberto para o lado de fora do Teatro. Atrás dos músicos via-se o céu e as árvores balançar com a leve brisa que passava pela agradável noite na Serrinha. 


Jogos de luzes colocados na parte externa traziam ainda mais efeitos visuais para as experimentações sonoras dos músicos. Música instrumental brasileira? À primeira vista poderia se pensar que não, pois não é típico identificarmos a música instrumental brasileira com as experimentações eletrônicas e tecnológicas. Mas engana-se quem se limite a essa visão, o que se presenciou é a ousadia de músicos, formados na velha guarda, buscando construir um diálogo entre a tradição e as novas sonoridades tecnológicas. Em poucas palavras, uma experiência cyberpsicodélica de ritmos brasileiros.  


6 de dezembro de 2013

À luz de vela no Atêlie

Por Mário Pedregoso


O festival “Séries Instrumentais” teve início na tarde de ontem com a residência musical. A abertura ocorreu no Atêlie da Fazenda Serrinha e contou com a presença dos músicos Marcos Suzano, Alex Meirelles e Maurício Negão, além dos músicos inscritos. O ambiente não poderia ser mais propício para incitar o espírito artístico. Após uma primeira conversa na qual os músicos se apresentaram e compartilharam seus referenciais musicais, o som dos instrumentos começou a se fazer ouvir no galpão do Atêlie.  


As ideias verbais começaram a se transformar em ideias musicais e o intercâmbio entre os músicos ganhou um outro campo de comunicação. O som dos instrumentos irrompeu tarde adentro e só cessou de ser ao anoitecer. Mas engana-se quem pensa que os músicos se dispersaram. Todos continuaram no Atêlie para ver a apresentação do violonista Rafael Schimidt.


Um pouco antes do show o espaço do Atêlie estava invadido por um clima intimista no qual a diferença entre músicos e plateia já não se fazia evidente. A iluminação à luz de vela aproximou ainda mais as pessoas e a impressão geral é que se estava na sala de casa. Quando Rafael subiu ao palco e fez seu violão se expressar, a música tornou-se a protagonista da noite e todos se voltaram a admirar a beleza das composições e a versatilidade técnica das execuções. O músico alternou músicas de composição própria como “Antigamente era assim”, “Benice”, “Correndo Atrás” e grandes clássicos como “A Lenda do Abaeté” e “Samba Triste”.  


Embora a responsabilidade de tocar para ouvintes tão exigentes quanto aos que ali estavam presente tenha trazido certos momentos de nervosismo, isso não afetou a qualidade das execuções musicais. Rafael não se deixou intimidar e parece ter se esmerado para mostrar o melhor de sua música. Noite chuvosa à luz de velas com um herdeiro do clássico violão brasileiro. Nada mais perfeito para a música recuperar sua vocação: a de aproximar pessoas. 



4 de dezembro de 2013

Séries Instrumentais começa nesta quinta, na Fazenda Serrinha

Projeto prevê residências artísticas e apresentações musicais



Um intercâmbio de música e idéias direcionado a músicos iniciantes e profissionais e também ao grande público. Este é o projeto Séries Instrumentais,  que contará com residência artística musical e shows na Fazenda Serrinha e no Teatro Rural do Busca Vida, entre os dias 05 e 08 de dezembro, de quinta a domingo.


Nesta primeira edição, o Séries Instrumentais destacará grandes nomes da música instrumental como Marcos Suzano, Tigre Dente de Sabre, Meno del Piccia e Bocato, além dos bragantinos Rafael Schimidt e Cheesehead, fomentando a música instrumental brasileira e expandindo seu público.




Confira a programação completa: 


05/12 - 21h - Fazenda Serrinha - Rafael Schimidt

O compositor e violonista Rafael Schimidt vem definindo um estilo musical próprio marcado por diferentes influências, entre elas o choro, a música caipira, a música erudita e a música flamenca, tendo como principais referências Guinga, Dilermando Reis, Dino 7 Cordas, Raphael Rabello, Baden Powell, Paco de Lucia, Alessandro Penezzi, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Cartola, entre outros grandes mestres. No ano de 2010 lançou seu primeiro CD, Antigamente era assim. Agora se prepara para lançar o segundo, que será produzido por Swami Jr e será de músicas autorais. A versatilidade do violonista se manifesta nos variados programas de concerto que pode oferecer, com distintas formações e parcerias. A proposta da apresentação de Rafael dentro do Séries Instrumentais será a de musicar um filme mudo, executando a trilha sonora ao vivo.





06/12 -  Marcos Suzano - Teatro Rural do Busca Vida 

Um dos maiores percussionistas do país, reconhecido internacionalmente. Começou tocando surdo e cuíca até eleger o pandeiro como companhia inseparável, de onde extrai compassos ímpares. Frequentou as casas de Hermeto Pascoal e Radamés Gnattali, estudou africanidades com Paulo Moura, tocou e toca com os maiores nomes da música brasileira. Além de participar da residência na Fazenda Serrinha nos dias 5, 6 e 7 de dezembro, fará um show na noite de sexta feira, 06/12, às 21h00.



07/12 - 21h - Tigre Dente de Sabre + Cheesehead - Teatro Rural do Busca Vida 


Tigre Dente de Sabre


Banda instrumental bragantina que vem se destacando no circuito paulistano, foi a grande revelação do PIB (Produto Instrumental Brasileiro - 2009). “Pense no baixo do Bauhaus, na pegada dançante do New Order e no experimentalismo da "neue Musik" (música clássica alemã que usa ruídos e distorções) e você estará próximo da sonoridade da nova banda”, definiu A Folha de São Paulo. 




Cheesehead

O trio de música instrumental formado atualmente por Matheus Canteri (Guitarra), João Guilherme Della Vecchia (Baixo) e Vinicius Imenez (Bateria),  tem como características elementos da guitarra country, composições complexas e com ritmos não convencionais, alem disso sempre há muito espaço para improvisos que tornam cada show único. A apresentação do Cheesehead contará com a participação de Dudu do Banjo.





08/12 - 16h - Jam Session - Teatro Rural do Busca Vida 

19h - Meno Del Picchia convida Bocato - Teatro Rural do Busca Vida 

Cantor, compositor e instrumentista paulista de Bragança, Meno é bisneto do escritor, pintor e escultor modernista Menotti Del Picchia. Começou a tocar ainda criança. Baixista e guitarrista, intensificou sua presença no meio musical quando passou a se apresentar com nomes como Tulipa Ruiz, Metá-Metá, Passo Torto, Ricardo Herz, Cérebro Eletrônico, Andreia Dias, Peri Pane, Gustavo Galo e Badi Assad, além do trombonista Bocato, convidado dele no último dia de festival. 



Os ingressos para os shows custarão R$10/R$ 5 (inteira/meia) e podem ser adquiridos a partir na Escola de Música Jardim Elétrico (Rua José Domingues, 139, Taboão, Bragança Paulista) ou no Ô de Casa Hostel (Rua Inácio Pereira da Rocha, 385, Pinheiros, São Paulo). Não aceitamos cartão.


Séries Instrumentais é uma realização do Espaço Edith Cultura em parceria com Busca Vida e Fazenda Serrinha. Conta com o patrocínio de Todo Vino e Central de Alimentos e apoio do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.



Serviço:


SÉRIES INSTRUMENTAIS NA SERRINHA

Dias: 05, 06, 07 e 08 de dezembro de 2013

Horários das Residências Artísticas Musicais: a partir das 14h

Horários dos shows: quinta, sexta e sábado a partir das 21h e domingo a partir das 16h

Local: Fazenda Serrinha e Teatro Rural

Endereço: estrada da Serrinha km 4

Censura: livre




3 de dezembro de 2013

Rafael Schimidt estará no Séries Instrumentais

O compositor e violonista Rafael Schimidt vem definindo um estilo musical próprio marcado por diferentes influências, entre elas o choro, a música caipira, a música erudita e a música flamenca, tendo como principais referências Guinga, Dilermando Reis, Dino 7 Cordas, Raphael Rabello, Baden Powell, Paco de Lucia, Alessandro Penezzi, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Cartola, entre outros grandes mestres. No ano de 2010 lançou seu primeiro CD, Antigamente era assim. Agora se prepara para lançar o segundo, que será produzido por Swami Jr e será de músicas autorais. A versatilidade do violonista se manifesta nos variados programas de concerto que pode oferecer, com distintas formações e parcerias. O músico se apresentará na Fazenda Serrinha no dia 5 de dezembro às 21h00. A proposta da apresentação de Rafael dentro do Séries Instrumentais será a de musicar um filme mudo, executando a trilha sonora ao vivo.

Cheesehead participa do Séries Instrumentais

O trio de música instrumental formado atualmente por Matheus Canteri (Guitarra), João Guilherme Della Vecchia (Baixo) e Vinicius Imenez (Bateria), surgiu em 2009, no mesmo ano em que foi lançado de forma independente o primeiro cd, intitulado “Mondays On Fire”. As musicas do trio tem como características elementos da guitarra country, composições complexas e com ritmos não convencionais, alem disso sempre há muito espaço para improvisos que tornam cada show único. . A banda participará da residência artística no dia 7 de dezembro, e se apresentará no dia 7 de dezembro.



2 de dezembro de 2013

Séries Instrumentais: Meno Del Piccia convida Bocato

Cantor, compositor e instrumentista paulista de Bragança, Meno é bisneto do escritor, pintor e escultor modernista Menotti Del Picchia. Começou a tocar ainda criança. Baixista e guitarrista, intensificou sua presença no meio musical quando passou a se apresentar com nomes como Tulipa Ruiz, Metá-Metá, Passo Torto, Ricardo Herz, Cérebro Eletrônico, Andreia Dias, Peri Pane, Gustavo Galo e Badi Assad, além do trombonista Bocato, convidado dele no último dia de festival. Participará da residência artística no dia 8 de dezembro, e se apresentará com Bocato no dia 08/12, às 19h00.






29 de novembro de 2013

Tigre Dente de Sabre se apresenta no Séries Instrumentais

Banda instrumental bragantina que vem se destacando no circuito paulistano, foi a grande revelação do PIB (Produto Instrumental Brasileiro - 2009). “Pense no baixo do Bauhaus, na pegada dançante do New Order e no experimentalismo da "neue Musik" (música clássica alemã que usa ruídos e distorções) e você estará próximo da sonoridade da nova banda”, definiu A Folha de São Paulo. A banda participará da residência artística no dia 7 de dezembro, e se apresentará no sábado, 07/12, às 21h00.



28 de novembro de 2013

Marcos Suzano participa da Residência Artística Musical "Séries Instrumentais"

Um dos maiores percussionistas do país, reconhecido internacionalmente. Começou tocando surdo e cuíca até eleger o pandeiro como companhia inseparável, de onde extrai compassos ímpares. Frequentou as casas de Hermeto Pascoal e Radamés Gnattali, estudou africanidades com Paulo Moura, tocou e toca com os maiores nomes da música brasileira. Além de participar da residência na Fazenda Serrinha nos dias 5, 6 e 7 de dezembro, fará um show na noite de sexta feira, 06/12, às 21h00.




27 de novembro de 2013

Intermezzo histórico da música instrumental brasileira

Por Mário Pedregoso

É notório o reconhecimento da riqueza e da qualidade que desfruta a música instrumental brasileira, cujas principais características são a originalidade, a criatividade, a capacidade de inovação e de renovação a cada geração.


A música instrumental brasileira consolidou seu lugar de destaque no cenário da música mundial a partir principalmente da década de 60. Isso se deu principalmente com o movimento de internacionalização que muitos músicos nessa época ajudaram a propagar, sendo a bossa nova um dos estilos pioneiro desse movimento. Dentro desse movimento, foram fundamentais a figura de músicos como Tom Jobim, João Gilberto, Luis Bonfá, João Donato, entre outros.


Marcos Suzano

A partir daí uma safra de músicos se aproveitou da abertura de mercado e lançaram carreira internacional não só tocando bossa nova, mas também muitos outros ritmos da música brasileira. Nomes como Moacir Santos, Eumir Deodato, Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Egberto Gismonti, Naná Vasconcelos, Raul de Souza, Victor Assis Brasil, Marcos Suzano, Bocato e muitos outros contribuíram para mostrar a riqueza rítmica da nossa música – frevo, samba, maxixe, maracatu, coco, baião, rancheira, embolada etc. Essas gerações de músicos tiveram o mérito de conquistar um espaço sólido para a profissionalização da música instrumental brasileira, contribuindo para alçá-la a um lugar de destaque na música mundial do século XX.


Meno Del Picchia - Trio Improvisado

Atualmente, a cena instrumental, assim como a música brasileira em geral, vem mostrando toda sua pujança com um nova geração de músicos que não para de se renovar. Em grande parte, a riqueza deste cenário está associada a profunda transformação que atingiu a produção de um disco. O maior acesso a tecnologia e o barateamento dos custos de produção fez que muitos músicos sem espaço nas grandes gravadoras e nas grandes mídias pudessem lançar sua música de forma mais independente. A mudança vem contribuir para expandir o universo da música instrumental brasileira na medida em que cria alternativas para além do mainstream, cujo mercado é muito restrito no Brasil. 


Tigre Dente de Sabre

Nomes como Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, André Mehmari, Marginal’s, Guizado, Trio Improvisado, Tigre Dente de Sabre e muitos outros têm mostrado em suas apresentações que a música instrumental brasileira desfruta de uma geração criativa e inovadora que merece todo o destaque e reconhecimento.

25 de novembro de 2013

Séries Instrumentais: inscrições prorrogadas até 28/11

Atenção músicos!!


As inscrições para a Residência Artística Musical "Séries Instrumentais" na Fazenda Serrinha foram prorrogadas até a próxima quinta - feira, dia 28 de novembro.


Para participar é necessário tem experiência na área e ser maior de 16 anos. A participação é gratuita.


Inscreva-se no formulário abaixo:  


21 de novembro de 2013

Séries Instrumentais traz residência artística para músicos

Prosposta da Fazenda Serrinha é criar oportunidade para a troca de experiências 
  

Por Mário Pedregoso  


A residência artística musical que acontecerá entre os dias 5 e 8 de dezembro na Fazenda Serrinha, em Bragança Paulista, é uma experiência que replica a bem-sucedida residência teatral realizada recentemente no “1º Encontro Entre Serras e Águas na Serrinha”. O conceito de residência artística vem se difundindo desde a década de 1980 na Europa, nos EUA e no Japão, como uma nova forma de estabelecer apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes em geral. As experiências no Brasil ainda que não tenham o mesmo vigor que nesses países, vêm, recentemente, se ampliando cada vez mais. Ainda são poucas aquelas que se consolidaram como referências importantes, como são as das residências organizadas pelo grupo Capacete Entretenimento, no Rio de Janeiro, e pelo Instituto Sacatar, em Itaparica-BA. Entretanto, vários centros emergentes estão em fase de criação e implantação de residências artísticas. 


1º Encontro Entre Serras e Águas na Serrinha

 A principal característica é romper com a rigidez do espaço institucionalizado da transmissão do conhecimento artístico. A ideia é promover troca de experiências artísticas para além do recinto das quatro paredes das salas de aula. É fazer o saber artístico insuflar-se do inusitado e deixá-lo transbordar para fora dos limites acadêmicos. Em suma, é alimentar a criatividade através da convivência entre artistas que se dispõem a trocar suas experiências sejam musicais ou extra-musicais. Mas como promover tal experiência? 

A Fazenda Serrinha terá o privilégio de contar com a participação do músico Marcos Suzano durante os dias em que será realizada a residência. Suzano é um dos principais percussionistas de sua geração e destaca-se por levar seu pandeiro a explorar campos sonoros nada comuns a este instrumento. Ao longo de sua carreira, já tocou com Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Água de Moringa, Carlos Malta, Zé Keti, Gilberto Gil, Lenine, Naná Vasconcelos, Caito Marcondes, entre outros. Tem vasta experiência em ministrar oficinas no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Além de Suzano e dos participantes inscritos, a residência também terá a participação dos músicos que se apresentarão no festival “Séries Instrumentais”: Tigre Dente de Sabre, Cheesehead e Rafael Schimidt e Meno Del Picchia e Bocato.


Marcos Suzano


O objetivo consiste em juntar músicos em várias fases de sua carreira e de diferentes lugares na Fazenda Serrinha durante alguns dias para estabelecerem diálogos destinados à criação e produção musical de maneira que ideias e perspectivas distintas se choquem e estimulem a inovação na música de cada participante. Temporariamente, a Fazenda Serrinha se transformará num espaço-tempo de intercâmbio por meio de proposições musicais em que a interação entre os residentes visa trazer à tona o significado e o valor das relações entre a arte e a vida. Onde a participação, a troca e a vida coletiva se juntam no fazer musical e amplificam a formação do músico

Para se inscrever para a Residência Artística Instrumental é necessário ter mais de 16 anos e conhecimento musical. As inscrições podem ser feitas aqui.